REALIZANDO UM SONHO

Hoje estou voltando com novas postagens, e trago um texto que escrevi para conclusão de meu curso. É muito bom saber que consegui realizar meu sonho de cursar uma faculdade.
REALIZANDO UM SONHO
                                                                      Margareth M.A.Santos
“Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar     sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã pelo profundo engajamento com  o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina.”
Paulo Freire
O mundo muda tanto e são tão rápidas as mudanças. O tempo parece ser forjado com uma nova forma, driblando o convencional e deixando a vida à mercê do efêmero e do imprevisível. (MARQUES, 2001)
Em agosto de 2007 mudei-me para Bicas. E nesta nova etapa de minha vida, tive a oportunidade de prestar o vestibular para a UAB/UFJF (Universidade Aberta do Brasil/Universidade Federal de Juiz de Fora) passando em quarto lugar, realizando o sonho de cursar a faculdade.
Tudo que é novo causa um pouco de preconceito, e não foi diferente com o curso de Pedagogia da UAB/UFJF. Cansei de ouvir que o curso não ia ser bom, que Pedagogia presencial já é ruim, imagine a distância! Fui ignorando as pessoas que não me incentivavam e me apoiando naqueles que acreditavam no curso.
O curso foi uma verdadeira surpresa, trouxe angústia, ansiedade, mas, sobretudo aprendizagem. Cada semestre era uma novidade com a apresentação das disciplinas, dos professores e tutores que muito me auxiliaram e estimularam, sugerindo, propondo e solucionando os problemas que sempre apareciam.
Sempre aparecia uma novidade na plataforma moodle, minha sala de aula virtual. Os fóruns, as atividades online como os chats, wiki e hot potatoes, todos trazendo dúvidas e, sobretudo aprendizagem.
Cada disciplina trazia um novo conhecimento. Como foi bom aprender sobre alfabetização e letramento, ação docente e sala de aula, antropologia e educação, história da educação, política e sistema educacional no Brasil, planejamento e avaliação na educação, diversidade e educação. Essa última se tornou tema de minha monografia.
Explorando todas as considerações a respeito do conhecimento (abrindo novas possibilidades de mudanças e reconstrução), de sua validade e da busca da verdade a qual, aprendi que não é absoluta, nem inquestionável, podendo haver verdades parciais e setoriais. A resposta a certas indagações nos remete ao campo da epistemologia.
Descobri que a história destaca a alternância de concepções teóricas que têm uma inevitável relação com as condições sociais de uma produção. Consideramos o conhecimento científico como um produto histórico, cultural, relacionado, portanto, com fatores sócio-políticos de uma dada sociedade e com seus critérios de verdade e de validade, isto é, um conhecimento dialeticamente sempre aberto às possibilidades de mudanças e reconstrução.
O curso me apresentou informações que proporcionaram discussões que nos trazem a nossa atualidade e quebra de paradigmas, levando a uma reflexão, que me comprometeu intensamente com a ciência da verdade. Conhecer os verdadeiros saberes da vida não é fácil, principalmente quando falamos em educação e escola. Um problema ou objeto de pesquisa não existe de forma fixa e definitiva. Tudo muda produzindo novos significados.
Com o estudo da disciplina alfabetização e letramento, vi que minha alfabetização foi baseada no método mecanicista, com o uso de cartilhas, seguindo o passo a passo como uma receita. Também aprendi que o professor alfabetizador tem uma identidade própria, organizada em torno de saberes específicos, que a alfabetização é uma tarefa delicada, pois ela define a trajetória dos alunos. Alfabetizar é ensinar a ler o mundo, e concordo com Paulo Freire quando ele diz que a leitura escrita pressupõe a leitura do mundo, ou seja, a criança começa a ler muito antes de aprender as letras. Ela aprende a ler quando começa a interpretar o mundo. E é nesta fase que tem que ter muita atenção, depois o ato de saber escrever as letras é mais mecânico do que intelectual, o ato de interpretar o que vê ou lê que é realmente importante. O professor eficaz domina o conjunto de conhecimentos existentes estando apto a utilizá-lo no ensino. Ele busca aprender a ensinar como um processo contínuo, sendo dotado de atitudes e competências necessárias às suas capacidades docentes.
Com meus estágios, descobri que as escolas incentivam a alfabetização com vários quadros e murais, alguns, divulgando textos dos próprios alunos. Vi ainda que os alunos fazem visitas periódicas à biblioteca para escolha de livros. E o mais importante, descobri que a escola é um local de produção de conhecimento, e as habilidades necessárias para o desenvolvimento de trabalhos coletivos devem ser sempre estimuladas.
Vi que a leitura é o único jeito de comunicar de igual para igual com o resto da humanidade, seja por textos escritos por vários autores da atualidade, seja por autores que já partiram, seja no espaço. Ao ver em jornais, revistas, o que acontece no mundo, nos escritos que desvendamos muitas formas de conhecimento, de culturas, de hábitos, e que compreendi o que é pluralismo sob diversos aspectos.
Na disciplina antropologia e educação, aprendi que a relação de gênero é uma questão cultural, que começa em casa onde é a mãe que ajuda os filhos nas atividades escolares. E aqui no Brasil, a responsabilidade da educação infantil e dos primeiros anos da educação fundamental é basicamente feminina. A criança começa a ter algum contato com os professores (homens) quando começa a fazer atividades físicas na escola ou entra no sexto ano. Basicamente, nas escolas de educação fundamental, os homens atuam na área de esportes, bibliotecas, secretarias, ficando a função de docente para as mulheres.
Com o trabalho monográfico que empreendi durante o meu curso, estudei que tudo está relacionado com toda a experiência, que a humanidade adquiriu sobre investigação e pesquisa, e através desta reflexão, fui produzindo novos conhecimentos.
Com essa produção de novos conhecimentos acabei me aprofundando no tema educação e diversidade e vi que os professores e a escola não estão preparados para lidar com a diversidade. E aprendi ainda que muitas pessoas confundem o significado da palavra “Inclusão”. Pensam que inclusão é “jogar” o aluno com deficiência no meio dos outros e está tudo certo, mas não é isso. “Inclusão” é transformar as escolas em escolas para todos, em que todos têm o direito de aprender com igualdade.
Diversidade é o que nos torna únicos. Somos diferentes, ninguém é igual a outro. Cada ser humano tem sua língua, cultura, seu modo de ser, de agir e de pensar. E, como somos diferentes uns dos outros, devemos evitar que essas diferenças como sexo, cor de pele, religião, orientação sexual, condições físicas, classe social e idade sejam motivo de desigualdade. Temos que aprender a lidar com todas as formas de diferenças.
Com a Pedagogia a distância aprendi que a qualidade de um texto depende de muitas variáveis, como origem social do pesquisador, a cultura, a realidade mentalizada. O discurso tem que ser corretamente compreendido e embasado em textos informativos, artigos científicos, livros didáticos, e é uma habilidade fundamental para toda vida. Para o assunto abordado tem que haver planejamento, intervenções, levantar referências e situações que possam ser identificadas no cotidiano.
Nestes quase quatro anos, descobri que o curso de Pedagogia é um local de produção de conhecimento, e das habilidades necessárias para o desenvolvimento de trabalhos coletivos que são estimulados pelos tutores e professores de todas as disciplinas. Ajudando a compreender melhor como deve ser o trabalho e o funcionamento de uma escola.
O curso de Pedagogia abriu uma nova perspectiva em minha vida, num futuro bem próximo vou poder dizer que tenho uma formação qualificada, o que vai me ajudar a voltar para o mercado de trabalho. Vou poder exercer uma profissão que, apesar de não ser valorizada, é o que eu gosto e quero fazer. Infelizmente não vai me ajudar a conseguir todos os objetivos, sei que devo continuar me aperfeiçoando cada vez mais para poder ajudar os alunos a terem uma educação de qualidade.
Como foram bons estes momentos passados junto com minhas colegas de curso. Novas amizades foram sendo construídas e as aulas inaugurais e oficinas de cada período eram uma verdadeira festa. Foi muito boa essa aproximação de nós alunas com os tutores a distância. Acima de tudo foi muito bom participar da primeira turma de Pedagogia a distancia da Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFJF.
Referencias bibliográficas
FREIRE, Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991
MARQUES, Carlos Alberto. O mundo moderno e o mundo atual. In:_____. A imagem da alteridade na mídia. 2001. 248f. (Doutorado em Comunicação e Cultural) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2001. p. 24-48.
SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. Contexto, 2003; edição 1
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